Colaboração nos negócios: teoria e prática são bem diferentes

Já notou que todos parecem saber do que se trata a colaboração, mas será que teoria e prática em torno disso é coerente no dia-a-dia dos negócios?

Ao entrar em um grupo ou comunidade de negócios, grande parte das pessoas demonstram dificuldades em verdadeiramente colaborar, mas é comum que quase todos esperem isso “dos demais integrantes”. Porque será que isso acontece?

A tendência natural da espécie humana é viver em grupos, buscando alcançar melhores  resultados ao somar esforços a favor de um bem comum.

Vivemos hoje um momento de profundas transformações nos negócios e na sociedade.

Trata se de uma ruptura com padrões de um sistema econômico dominante nos últimos anos, que agora demonstra-se em declínio.

Esta é uma das razões inclusive, que nos ajuda a compreender porque a teoria e prática da colaboração é mais difícil de ser exercida do que inicialmente imaginamos. 

Por que a teoria e prática na colaboração ainda estão distantes uma da outra?

Temos uma tendência natural em pensarmos com nossos vieses da escassez, mesmo dentro de um grupo em que a proposta é a colaboração acima de tudo. E isso também deriva de nossa cultura capitalista tal qual ainda é a lógica dominante nos dias atuais.

Além disso, para Evan Rosen, autor do livro ‘A Cultura da Colaboração’, esse termo significa ‘’trabalhar junto para gerar valor enquanto compartilha o mesmo espaço virtual ou físico”. 

Evan também enfatiza que as organizações que não colaboram de maneira eficaz, é porque ainda estão presas à estruturas arcaicas, muitas delas criadas durante a era industrial. 

No modelo industrial prevalece a divisão do trabalho, com a especialização dos trabalhadores em cada uma das etapas de produção.

Um cenário pouco favorável à prática da colaboração, mas que ainda se faz presente por meio do encadeamento das etapas de produção, onde cada trabalhador contribui para a criação do produto final, com clareza de suas responsabilidades específicas, não inferindo na etapa dos outros.

Como construir a cultura da colaboração nos negócios

Afinal, como colocá-la em prática nos negócios?

Em um mundo cada vez mais impactado pelos avanços tecnológicos onde novos formatos de trabalho surgem, a empatia, a transparência e o diálogo aberto tornam-se ferramentas  essenciais para a construção de uma cultura de colaboração nos ambientes de negócio.

A própria evolução de uma economia baseada na escassez e na competição para uma lógica de abundância e colaboração demanda um maior foco num modelo organizacional mais aberto e distribuído – entendendo como ‘organização’ um coletivo de pessoas que atuam de forma alinhada a um propósito comum. 

“Cabe destacar que um dos pilares da chamada nova economia é o da colaboração, se sobrepondo à competição”.

Nesse contexto, alguns fatores contribuem para a construção da cultura da  colaboração, como a busca por um trabalho que nos proporcione mais autonomia, realização pessoal  e renda ao longo da vida: tudo isso em torno de propósitos sinérgicos entre pessoas que compartilham dos mesmos valores que você.

Mas, se sabemos de tudo isso na teoria , porque ainda é tão difícil adotarmos a colaboração de forma prática, incorporando-a na nossa vida profissional?

Confiança, clareza de intenção e reciprocidade: as chaves para a colaboração 

Para que a colaboração aconteça de maneira efetiva, torna-se necessário que as pessoas manifestem a sua intenção no fazer coletivo, de forma que fique claro quais recursos precisam ser empenhados (e aqui não falamos apenas do monetário) ao longo do processo.

# Clareza de Intenção

A clareza de intenção é importante para que todos saibam o que você busca e o que pode oferecer para que tais objetivos sejam alcançados.

# Confiança

A confiança é outro fator essencial para que possamos nos expressar sem medo do pré julgamento, contribuindo para um ambiente mais abundante e criativo, onde cada um possa efetivamente colaborar, e não competir. 

# Reciprocidade

A reciprocidade surge quando você se abre para a interação – o que invariavelmente não acontece nas relações verticais, que funcionam como via de mão única – e opina, participa, troca e dialoga sobre como pode contribuir à partir de suas competências e habilidades.

Para atingir um propósito coletivo por meio da prática da colaboração, é preciso que haja uma abertura para o novo, onde possamos ressignificar nossa relação com o trabalho, assumindo a auto responsabilidades e desenvolvendo novos aprendizados.

É claro que nem sempre é fácil equilibrar esses 3 pilares, já que as experiências no campo das interações podem gerar fortalecimento ou desgaste nas relações.

Pode até mesmo acontecer, em algum momento, das demandas que emergem de um processo colaborativo conflitarem com as nossas metas e objetivos individuais pré-estabelecidos.

Mas se pensarmos que as pessoas colaboram porque são movidas por um único propósito, e não porque ‘são obrigadas’, fica fácil entender que sendo recíproca, a colaboração tende a fluir.

É importante salientar ainda que fomos educados desde criança para competir em vez de colaborar, e para muitos, essa é uma mentalidade difícil de mudar.

Portanto, não será o fim do mundo se a colaboração não acontecer ou até mesmo deixar de fazer sentido em algum momento da sua jornada.

Diante de um vasto campo de possibilidades que a economia colaborativa é capaz de nos proporcionar, outras oportunidades se abrem, e viva a liberdade de escolha!

***** ***** ***** ***** *****

Gosta de nossos conteúdos? Inscreva-se logo abaixo para receber a nossa newsletter quinzenal, com uma seleção de nossas últimas publicações e notícias.

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

1 Comentário

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.